EREIGNIS - Heidegger et la phénoménologie

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CONTRIBUIÇÕES À FILOSOFIA

GA65: ser-aí / Da-sein

173

sábado 10 de junho de 2017

        

Casanova

O ser  -aí é a crise entre   o primeiro e o outro início. Isso quer dizer  : segundo o nome e a coisa   mesma, ser-aí significa, na história   do primeiro início (isto é, na história conjunta da metafísica), algo essencialmente diverso do que no outro início.

Na metafísica, “ser-aí” (existência) é o nome para designar o modo   como o ente   é efetivamente essente. Assim, ele tem em vista o mesmo   que o ser presente à vista, interpretado mais originariamente em um passo determinadamente dirigido: presentidade. Essa caracterização do ente pode ser até mesmo repensada com vistas à denominação do primeiro início, com vistas à physis   e à aletheia   que a determina. Com isso, o nome ser-aí recebe completamente o conteúdo autêntico do primeiro início: emergindo a partir de si desveladamente se essenciar (aí). Atravessa toda a história da metafísica, porém, o hábito não casual de transpor o nome para o modo da realidade efetiva   do ente para esse ente mesmo, visando com o ser-aí ao “ser-aí”, ao próprio ente presente à vista completamente real   e efetivo  . Ser-aí é, assim, apenas a boa tradução alemã [288] de existentia  , o emergir a partir de si e se encontrar fora de si do ente, presentar-se a partir de si (em meio ao esquecimento   crescente da aletheia).

De maneira corrente, “ser-aí” não significa nada   além disso. E pode-se falar de acordo com isso do ser-aí coisal, animal  , humano, temporal  .

Completamente diferente disso é o significado   e a coisa em jogo na palavra   ser-aí no pensar   do outro início, tão diverso que não há nenhuma transição mediadora daquele primeiro uso   para o outro.

O ser-aí não é o modo da realidade efetiva de qualquer ente, mas é ele mesmo o ser do aí. O aí, porém, é a abertura   do ente enquanto tal   na totalidade  , o fundamento   da aletheia mais originariamente pensada. O ser-aí é um modo de ser  , que, na medida em que ele “é” o aí (por assim dizer   de maneira ativa e transitiva), é de acordo com esse ser insigne   e como esse ser mesmo um ente de um tipo único (o essenciante da essenciação do seer).

O ser-aí é o fundamento que propriamente se funda da aletheia da physis, a essenciação daquela abertura, que reabre pela primeira vez o encobrir  -se (a essência do seer) e que, assim, se mostra como a verdade   do próprio seer.

O ser-aí no sentido   do outro início, que pergunta   sobre a verdade do seer  , nunca tem como ser alcançado como o caráter do ente que vem ao encontro e se mostra como presente à vista; mas também não como   o caráter do ente, que deixa tal ente se tornar um objeto   e se encontrar em relações com ele; o ser-aí também não é nenhum caráter do homem  , como se por assim dizer só o nome que se estendia a todo ente fosse restrito ao papel de designação para o ser presente à vista do homem.

Não obstante, o ser-aí e o homem se encontram em uma ligação essencial, na medida em que o ser-aí significa o fundamento da possibilidade   do ser humano futuro   e o homem é futuramente, na medida em que ele assume   ser o aí, contanto que ele se conceba como o guardião da verdade do seer, guarda essa que está indicada como o “cuidado  ”. “Fundamento da possibilidade” é ainda dito metafisicamente, mas é pensado a partir do pertencimento   insistente e abissal. [289]

O ser-aí no sentido do outro início é o que nos é ainda completamente estranho  , aquilo que nós nunca encontramos previamente dado  , que só podemos ressaltar no salto   para o interior   da fundação da abertura do que se encobre, daquela clareira   do seer, na qual o homem futuro precisa se colocar, para mantê-la aberta.

A partir do ser-aí nesse sentido, o ser-aí se torna pela primeira vez “compreensível” como presentidade do ente presente à vista, isto é, a presentidade se revela como uma apropriação determinada da verdade do seer, junto à qual a atualidade experimentou um privilégio determinadamente interpretado em face do sido e do por vir (fixado no caráter do que se encontra contraposto, objetividade   para o sujeito  ).

O ser-aí como a essenciação da clareira do que se encobre pertence a esse encobrir  -se mesmo, que se essencia como o acontecimento   apropriador.

Todos os âmbitos e aspectos da metafísica fracassam aqui e precisam fracassar, se é que o ser-aí deve ser concebido de maneira pensante. Pois a “metafísica” pergunta a partir do ente (na interpretação inicial e, isto significa, derradeira da physis) acerca da entidade   e deixa a verdade dessa entidade, isto é, a verdade do seer necessariamente sem ser questionada. A própria aletheia é a primeira entidade do ente, e mesmo essa entidade permanece inconcebida.

No uso até aqui e no uso ainda corrente, ser-aí designa o mesmo que estar presente à vista aqui e lá, ocorrer em um onde e em um quando.

No outro significado futuro, o “ser” não tem em vista ocorrência, mas suportabilidade insistente como fundação do aí. O aí não significa um aqui e um lá de algum modo determinável a cada vez, mas sim a clareira do seer   mesmo, cuja abertura só arranja o espaço para cada aqui e lá possível e o erigir do ente em uma obra  , um ato   e um sacrifício históricos.

O ser-aí é a suportabilidade insistente da clareira, isto é, da livre, desprotegida, pertinência ao aí, no qual o seer se encobre.

A suportabilidade insistente da clareira do encobrir-se é assumida na determinação de uma busca, de um cuidado e de uma guarda do homem, que se apropria do [290] ser em meio ao acontecimento, que se sabe pertinente ao ser como a essenciação do seer. (2014, p. 288-291)

Emad & Maly

Da-sein   is the crisis between the first and the other beginning  . That is to say: According to the name and the matter itself, Da-sein means something in the history of the first beginning   (i.e., in the whole   history of metaphysics  ) that is essentially other than in the other beginning.

[GA65  :295-297] [209] In metaphysics “Da-sein” is the name for the manner and way   in which beings are actually beings and means the same as being-extant — interpreted one definite step more originarily: as presence  . This designation of beings can even be thought back to the first-ever-inceptual naming, to φύσις and then to αλήθεια that determines it. Thus the name Dasein finally receives the genuine, first-ever-inceptual content  : rising out of itself swaying (t/here [Da]) as unhidden. But running throughout the whole history of metaphysics is the not   accidental custom of transferring the name for the mode of actuality   of beings to beings themselves and of meaning, with “Dasein,” “the Dasein” [existence], i.e., a completely actual and extant being itself. Thus Dasein is only the good   German translation of existentia, as a being’s coming forth and standing out by itself, presencing   by itself (in a growing forgetting   of άλήθεια).

Throughout [metaphysics] “Dasein” means nothing else. And accordingly one could then speak of thingly, animal, human, temporal Dasein [as mere existence].

The meaning and matter of the word Da-sein in the thinking of the other beginning is completely different, so different that there is no mediating transition   from that first usage   to this other one.

Da-sein is not the mode of actuality for every type of being, but is itself the being of the t/here [Da], The t/here [Da], however, is the openness of a being as such   in the whole, the ground of the more originarily thought άλήθεια. Da-sein is a way of being   which, in that it “is” the t/here [Da] (actively and transitively, as it were), is a unique being in accordance with and as this outstanding   being (what is in sway in the essential swaying   of be-ing).

Da-sein is the very own   self  -grounding   ground of άλήθεια of φύσις, is the essential swaying of that openness which first enopens the self-sheltering  -concealing (the essential sway   of be-ing) and which is thus the truth of be-ing itself.

In the sense of the other beginning, which inquires into the truth of be-ing, Da-sein can never be encountered as the character of a being that is encountered and is extant, but also not as the character of a being which lets such a being become an object and which stands in relations to an object; Da-sein is also not the character of man, as if now the name that up to then was extended to all beings would become limited to the role of characterizing man’s extantness.

Nevertheless, Da-sein and man are essentially related, insofar as Da-sein means the ground of the possibility of future humanness and insofar as man is futural, in that he takes over being the t/here [Da], granted that he grasps himself as the guardian of the truth of be-ing, which guardianship is designated as “care.” “Ground of the possibility” is still spoken metaphysically, but thought from within the belongingness that inabides in abground.

[210] [GA65:297-298] In the sense of the other beginning, Da-sein is still completely strange to us; it is what we never find lying before us, what we leap into solely in leaping-into the grounding of the openness of self-sheltering-concealing, that clearing of be-ing in which future man must place   himself in order to hold it open.

It is from Da-sein in this sense that Dasein as the presence of what is extant first becomes “understandable,” i.e., presence proves to be one specific appropriation   of the truth of be-ing, whereby the presentness [Gegenwärtigkeit], compared to what has been [Gewesenheit  ] and what will be [Künftigkeit], receives certain interpreted preference (consolidated in objectness, in objectivity   for the subject).

As essential swaying of the clearing of self-sheltering-concealing, Da-sein belongs to this very self-sheltering, which holds sway as en-owning.

All domains and perspectives of metaphysics fail — and must fail — here, if Da-sein is to be grasped thinkingly. For “metaphysics” inquires into beingness in terms of beings (in the inceptual — and that means definite — interpretation of φύσις) and leaves the truth of this beingness — and that means the truth of be-ing — necessarily unasked, άλήθεια itself is the primary beingness of a being, and even this remains ungrasped.

In the hitherto and still customary usage Dasein means the same as being extant here and there, occurring in a where and a when.

In the other and future meaning “being” [sein] does not mean occurring [vorkommen] but inabiding carriability [Ertragsamkeit] as grounding the t/here [Da], The t/here [Da] does not mean a here aild yonder that is somehow each time determinable but rather means the clearing of be-ing itself, whose openness first of all opens up the space   for every possible here and yonder and for arranging beings in historical work and deed and sacrifice.

Da-sein [is] the inabiding carriability of the clearing, i.e., of the free, unprotected, belonging of the t/here [Da], in which be-ing is sheltered and concealed.

The inabiding carriability of the clearing of self-sheltering-concealing will be taken over in the seeking  , preserving, and guardianship of that man who knows himself to be enowned to being and to belong to   enowning as the essential swaying of be-ing  . (1999, p. 208-210)

Original

Das Da  -sein ist die Krisis zwischen dem ersten und dem anderen   Anfang  . Das will sagen: Dem Namen und der Sache nach bedeutet Dasein in der Geschichte des ersten Anfangs (d. h. in der gesamten Geschichte der Metaphysik) etwas wesentlich anderes als im anderen Anfang.

In der Metaphysik ist »Dasein« der Name für die Art   und Weise  , wie Seiendes wirklich seiend ist, und meint soviel wie Vorhandensein  , um einen bestimmt gerichteten Schritt ursprünglicher ausgelegt: Anwesenheit. Diese Kennzeichnung des Seienden darf sogar auf   die erstanfängliche Nennung [296] zurückgedacht werden  , auf die φύσις und die sie bestimmende αλήθεια. So bekommt der Name Dasein vollends den echten erstanfänglichen Gehalt: von sich her auf gehend unverborgen (da) wesen. Durch die ganze Geschichte der Metaphysik zieht sich aber der nicht zufällige Brauch, den Namen für die Wirklichkeitsweise des Seienden auf dieses selbst zu übertragen und mit »Dasein« »das Dasein« zu meinen, das ganze wirklich vorhandene Seiende selbst. Dasein ist so nur die gute deutsche Übertragung von existentia, das Aussichhervortreten und -stehen des Seienden, von sich her anwesen (bei wachsendem Vergessen der άλήθεια).

Durchgängig meint »Dasein« nichts anderes. Und man kann demgemäß vom dinglichen, tierischen, menschlichen, zeitlichen Dasein sprechen.

Völlig verschieden davon ist Bedeutung und Sache des Wortes Da-sein im Denken des anderen Anfangs, so verschieden, daß es von jenem ersten Gebrauch zu diesem anderen keinen vermittelnden Übergang gibt.

Das Da-sein ist nicht die Wirklichkeitsweise von jeglichem Seienden, sondern ist selbst das Sein des Da  . Das Da aber ist die Offenheit   des Seienden als solchen im Ganzen, der Grund der ursprünglicher gedachten αλήθεια. Das Da-sein ist eine Weise zu sein, die, indem sie das Da »ist« (activ-transitiv gleichsam), gemäß diesem ausgezeichneten Sein und als dieses Sein selbst ein einzigartiges Seiendes ist (das Wesende   der Wesung des Seyns).

Das Da-sein ist der eigen sich gründende Grund der αλήθεια der φύσις, die Wesung jener Offenheit, die erst das Sichverbergen (das Wesen des Seyns) eröffnet und die so die Wahrheit des Seyns selbst ist.

Das Da-sein im Sinne des anderen Anfangs, der nach der Wahrheit des Seyns fragt, ist niemals anzutreffen als Charakter des begegnenden und vorhandenen Seienden; aber auch nicht als Charakter des Seienden, das solches Seiendes zum Gegenstand werden läßt und in Beziehungen zu ihm steht; das [297] Da-sein ist auch kein Charakter des Menschen, als werde jetzt gleichsam nur der sonst bis dahin auf alles Seiende sich erstrek-kende Name eingeschränkt in die Bezeichnungsrolle für das Vorhandensein des Menschen.

Gleichwohl stehen Da-sein und Mensch in einem wesentlichen Bezug  , sofern das Da-sein den Grund der Möglichkeit des künftigen Menschseins bedeutet und der Mensch künftig ist, indem er das Da zu sein übernimmt, gesetzt, daß er sich als den Wächter der Wahrheit des Seyns begreift, welche Wächterschaft angezeigt ist als die »Sorge«. »Grund der Möglichkeit« ist noch metaphysisch gesprochen, aber aus der abgründig-inständigen Zugehörigkeit gedacht.

Das Da-sein im Sinne des anderen Anfangs ist das uns noch ganz Befremdliche, das wir nie vorfinden, das wir allein er-springen im Einsprung in die Gründung der Offenheit des Sichverbergenden, jener Lichtung des Seyns, in die der künftige Mensch sich stellen   muß, um sie offen zu halten.

Aus dem Da-sein in diesem Sinne wird das Dasein als Anwesenheit des Vorhandenen erst »verständlich«, d. h. die Anwesenheit erweist sich als eine bestimmte Aneignung der Wahrheit des Seyns, wobei die Gegenwärtigkeit gegenüber der Gewesenheit und Künftigkeit eine bestimmt ausgedeutete Bevorzugung erfahren hat (verfestigt in die Gegenständlichkeit, Objektivität für das Subjekt).

Das Da-sein als die Wesung der Lichtung des Sichverbergens gehört zu diesem Sichverbergen selbst, das als das Er-eignis west.

Alle Bereiche und Hinsichten der Metaphysik versagen hier und müssen versagen, wenn das Da-sein denkerisch gefaßt werden soll. Denn die »Metaphysik« fragt vom Seienden her (in der anfänglichen und d. h. endgültigen Auslegung   der φύσις) nach der Seiendheit und läßt die Wahrheit dieser und d. h. die Wahrheit des Seyns notwendig ungefragt, άλήθεια selbst ist die erste Seiendheit des Seienden, und selbst diese bleibt unbegriffen.

[298] Im bisherigen und noch üblichen Gebrauch meint Dasein soviel wie hier und dort vorhanden   sein, in einem Wo und Wann vorkommen.

In der anderen künftigen Bedeutung meint das »sein« nicht Vorkommen, sondern inständige Ertragsamkeit als Gründung des Da. Das Da bedeutet nicht ein irgendwie jeweils bestimmbares Hier und Dort, sondern meint die Lichtung des Seyns selbst, deren Offenheit erst den Raum einräumt für jedes mögliche Hier und Dort und die Einrichtung   des Seienden in geschichtliches Werk und Tat und Opfer.

Das Da-sein die inständige Ertragsamkeit der Lichtung, d. i. des Freien, Ungeschützten, Zugehörigen des Da, worin das Seyn sich verbirgt.

Die inständige Ertragsamkeit der Lichtung des Sichverbergens wird übernommen in der Sucherschaft, Wahrer- und Wächterschaft des Menschen, der sich dem Sein ereignet, dem Ereignis als der Wesung des Seyns zugehörig weiß. (p. 295-298)


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