Murilo Cardoso de Castro

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MacDowell: esquecimento da questão do sentido de ser

terça-feira 11 de abril de 2017

        

Heidegger não somente constata o fato   do esquecimento   da questão do sentido de ser   na Metafísica tradicional, esquecimento   tanto mais tenaz quanto a própria Metafísica o ratificou, expressamente, a partir da própria ideia   de ser que secretamente a dirige. Ele é também capaz de situar este fenômeno no contexto de sua análise da existência humana. Se a Metafísica dispensou-se de investigar   o sentido   de ser, é devido à tendência geral do entender   humano a submergir na tradição. (1993, p. 173)


A perspectiva em que Sein und Zeit   situa o fenômeno do esquecimento da questão do sentido de ser será superada por Heidegger nos anos seguintes. Aqui tal esquecimento é considerado como consequência de um questionar   inautêntico, decaído na tradição desarraigada. A recapitulação desta questão aparece, ao invés, como resolução autônoma do eis-aí-ser, enquanto filosofante, de projetar  -se de acordo com suas possibilidades mais próprias. Mais tarde, as vicissitudes da história   da Ontologia   serão explicadas a partir do próprio ser, que, através de sua revelação e ocultamento, constitui o pensar   em suas respectivas possibilidades epocais. Não há, porém, contradição direta entre   a tendência pelagiana, por assim dizer  , da análise da existência em Sein   und Zeit   e a concepção da História do ser das obras do período posterior. Com efeito  , as análises de Sein und Zeit não fecham a porta a uma explicação mais radical que venha transtornar o seu voluntarismo. E, por outro lado, as ordenações do ser não se exercem como uma fatalidade inexorável, antes requerem a colaboração do pensar atento e obediente. (1993, p. 177-178)

Ver online : A GÊNESE DA ONTOLOGIA FUNDAMENTAL DE M. HEIDEGGER